ASPECTOS GERAIS
O município de Itapiranga limita-se ao sul com o estado do Rio Grande do Sul, cujo limite geográfico é o Rio Uruguai. A oeste faz fronteira com a Argentina, através do Rio Peperi-Guaçú. Também faz divisa com os municípios catarinenses de Tunápolis e São João do Oeste. O último censo realizado pelo IBGE em 2000 constatou uma população de 13.980 habitantes.
Itapiranga ocupa uma área de 286,1 quilômetros quadrados e uma das características é o relevo bastante irregular, com altitudes que variam entre 170 a 340 metros . O clima subtropical úmido com as estações bem definidas ocasiona temperaturas que podem variar de -2 a 40 graus centígrados. As temperaturas médias anuais ficam em torno de 20°C . O índice de precipitação pluviométrica média anual é de 1.810 milímetros .
HISTÓRICO
Não é possível falar sobre o município de Itapiranga sem contextualizar alguns aspectos do processo de colonização europeu, brasileiro e do estado do Rio Grande do Sul a partir do século XIX. As destruições geradas pelas guerras na Alemanha aliadas à intensificação da economia baseada no meio rural, o processo de unificação dos estados daquele país, a divisão das terras, o processo de industrialização, os movimentos revolucionários da época em conseqüência da instabilidade e a luta por novos espaços e direitos contribuíram para um excesso populacional que gerou a emigração a outros países, entre eles o Brasil.
A abertura dos portos brasileiros em 1808 favoreceu inicialmente aos ingleses, tendo como conseqüência primária uma maior articulação e benefícios à imigração. Uma parte dos imigrantes europeus foi trabalhar nas fazendas de café no estado de São Paulo. Outra parcela veio parar nas vastas áreas de terras livres disponíveis no Rio Grande do Sul. Eles formavam núcleos que se dedicavam principalmente à agropecuária como forma de subsistência. A colonização alemã no Rio Grande do Sul iniciou na década de 1820, na região do município de São Leopoldo.
A posse de terras brasileiras por imigrantes foi assegurada com a implantação de leis que regulamentavam a compra e venda de terras no país. Prontamente apareceram os resultados. A região se consolidou através dos aspectos culturais, influenciando a economia e a política do estado. As terras foram ficando escassas. O capital e os incentivos se esgotando. A conquista de novas terras levou um grande número de imigrantes se deslocar para outras regiões e até mesmo para outros estados.
No ano de 1906, depois de percorrer mais de 15 quilômetros em embarcações rústicas, navegando pelos rios da Várzea e Uruguai, os desbravadores chegaram às terras que foram chamadas de Porto Novo, pertencentes ao município de Chapecó. Em 1929, com a visita do presidente da província, Adolfo Konder, a colônia mudou seu nome para Itapiranga. Em Tupi-guarani, itapiranga quer dizer "pedra-vermelha", conseqüência do solo basáltico predominante na região. Os primeiros colonizadores se dedicavam basicamente à agricultura de subsistência.
Os povos nativos, em sua maioria índios tupis-guaranis e caboclos, eram nômades e tinham pouco contato com os colonizadores. A exploração da mata nativa serviu para as primeiras construções e foi a primeira atividade econômica. A madeira era transportada para a Argentina através de balsas pelo rio Uruguai. Com certeza, a fertilidade do solo e a diversidade da fauna auxiliaram para a consolidação das famílias em Itapiranga. Mesmo com um modelo pouco integrado à realidade da economia nacional, a colônia foi consolidando sua organização em comunidade.
EMANCIPAÇÃO
Com um desenvolvimento promissor, tanto no núcleo urbano quanto na zona rural, Porto Novo, já em 25 de fevereiro de 1932, pelo Decreto nº 213 do então Interventor Estadual (Ptolomeu de Assis Brasil), tornou-se distrito do município de Chapecó,desmembrando-se do distrito de Porto Feliz, assumindo como primeiro subprefeito o Sr. Carlos Francisco Rohde.
A partir desta conquista, o novo distrito impulsionava uma constante organização na estrutura política-administrativa e na infra-estrutura, com destaque para: criação da Caixa Rural União Popular de Porto Novo em outubro de 1932, funcionamento do primeiro hospital na cidade em 1937- 1938, a troca do nome de Itapiranga para Vila Peperi no período de 1943 a 1946 quando ertencia ao Território do Iguassú, a instalação em 1951 de um telefone automático, favorecendo a cidade e localidades do interior, implantação de diversas escolas e construção de estradas desde o final da década de 1920, como também a formação de empresas comerciais, prestadores de serviços e de diversas comunidades no interior.
Todos estes avanços e as aspirações de amplo desenvolvimento desta região motivaram as lideranças do distrito de Itapiranga a articular o processo de emancipação.
O desafio era A emancipação politico-administrativa atender as exigências da Constituição de Santa Catarina de 1947, que estabelecia que os novos municípios deveriam possuir no mínimo 20.000 habitantes. Com muita dedicação e articulação política, Itapiranga conquista sua emancipação política pela Lei 133 em 30 de dezembro de 1953 é oficialmente instalado em 14 de fevereiro de 1954.