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Iporã do Oeste

O município de Iporã do Oeste tem sua colonização constituída principalmente por emigrantes de origem alemã e italiana e, em menor proporção, por Russo-Ucranianos.

O principal fator econômico que motivou a emigração foi a extração da madeira de lei, existente na região.

Os primeiros colonizadores chegaram por volta do ano de 1925 e instalaram-se na localidade denominada "Pinhal", porque havia grandes áreas cobertas por pinheiros.

Eram enfrentadas muitas dificuldades para adquirir gêneros alimentícios, o que era feito em Porto Feliz (Mondai) para onde se deslocavam a cavalo, levando três dias para regressar.

Dos produtos colhidos, apenas a batatinha tinha relativa saída. O produto era adquirido pelos tropeiros que se dirigiam levando tropas de gado a Barracão-PR. Era dificílima a criação de suínos, visto não existirem chiqueiros próprios para a atividade. Às vezes, se tornava necessário abater algum suíno semi-gordo para se ter o que comer.

A caça naquela época era abundante, caçava-se anta, porco-do-mato, veado e cotia. Da carne de anta se fazia o salame. A última anta da região foi caçada em Linha Pirapó por Carlito Konflanz em 1946.

Quando alguém adoecia, era transportado numa carroça puxada a cavalo até Porto Feliz. Lá residia um curandeiro, que também fazia a vez de parteiro.

Em 1929 foi construída a primeira serraria em Pinhal. Localizava-se a serraria no lote hoje pertencente a Roque A. Colling. A primeira madeira foi serrada com uma serra de estaleiro. Mais tarde, uma locomóvel Lanz de 18 cavalos de força foi trazida a Pinhal. Cristiano Wandscheer, além de possuir a serraria, era ainda, o balseiro. A madeira era serrada em planchas e levada até Porto Feliz por burros ou cavalos. Na época, serrava-se somente o pinheiro que existia em abundância, escolhia-se os paus mais maduros.

Anos mais tarde, o senhor Giordani comprou a serraria da família Wandscheer. A família Giordani quase desesperara, porque não conseguia levar as balsas para São Tomé e Uruguaiana, na fronteira com o Uruguai, porque faltaram chuvas durante 4 a 6 anos. O rio não dera ponto de balsa, venderam a serraria para Josué Anonni.

Em 1946, a Firma Anonni transferiu a serraria para São Miguel do Oeste, pelo fato do pinheiro ter-se tornado escasso. Ficou Pinhal sem serraria por três anos. Em 1949, Reinoldo Ruschell construiu uma nova serraria, serrando qualquer tipo de madeira.

Freqüentava-se aulas na época ministradas em língua alemã, tendo como primeiro professor Paulo Arenz. A escola pertencia a Cristiano Wandscheer, e era mantida pelo consulado alemão, com sede em Mondai.
A primeira escola foi construída em 1937, na chácara que pertencia a Guerino Piran.

O nome da comunidade "Nossa Senhora das Mercês" surgiu do seguinte fato: em 1938, na construção da primeira capela, Alberto Giordani cortou o pé esquerdo farqueando madeira. Como não havia médico ou outro recurso, a não ser em Sarandi-RS, fez Alberto uma promessa a Nossa Senhora das Mercês, prometeu que compraria a estátua da Santa se ele se curasse sem seguir ao médico. A família iniciou novena em honra a Santa, pois Alberto estava com indícios de tétano. A cura se comprovou e não foi preciso procurar o médico. A estátua da Santa foi encomendada em Palmas-PR e media cerca de 40cm.

Para prestar atendimento religioso aos católicos, deslocavam-se de Porto Novo (Itapiranga), subindo por São João, usando como meio de locomoção o burro, os padres Teodoro Treis, José Ely e Vendelino Junges. Calcula-se que a primeira missa em Pinhal, foi rezada pelo padre José Ely, em 1938.

O pioneiro na construção de um bolão foi Vitório Lorenzetti, pelos idos de 1941. Em 1943, Alberto Giordani fundou um salão de baile nas imediações da atual estação rodoviária. As moças, que eram em número maior, se vestiam como moços, formando um par simbólico.
Em 1944, Anildo Heisler adquiriu um caminhão Ford-39, e com este fretava vigas de madeira, sempre a serviço de balseiros para a exportação de madeira nativa.

Em 1945, a igreja foi transferida para outro lote (atualmente Escritório Contábil de Canísio Muller). No dia da inauguração, Miguel Franz foi eleito festeiro.

Em 1954, Anildo Heisler associou-se a empresa Rainha do Sertão, que mantinha horário de ônibus de Itapiranga a Dionísio Cerqueira. Naquele tempo era necessário dois dias para cumprir o trajeto. Em 1957 Anildo fundou a empresa Iporã, que contava com um ônibus Ford V-6 que fazia o trajeto Pinhal a Itapiranga, em dois horários semanais.

Em 17 de dezembro de 1956, pela resolução nº 03 de 09/05/1956, da Câmara de Vereadores de Mondai, depois transformada em Lei nº 267, de 13/11/1956, da Assembléia Legislativa do Estado de Santa Catarina, Pinhal passou a distrito de Mondai , com a denominação de Iporã, expressão originada do dialeto Guarani "Água Boa". O primeiro subprefeito foi Walter Horst.

Em 1957, foi fundado o Grêmio Esportivo Iporã. Como campo de futebol, foi escolhido o potreiro de Walter Horst. Artur Friedrich foi escolhido como primeiro presidente da agremiação.
Em 1960, foi instalado o primeiro aparelho telefônico a manivela que tinha um fio puxado desde Mondai. Este telefone encontrava-se instalado na casa comercial Back & Kist. Cerca de dois anos depois, foi instalado o primeiro centro telefônico na casa de Walter Horst.
A energia elétrica primeiramente foi gerada através de um locomóvel. Mais tarde, por volta de 1964/66, Iporã recebeu energia através da usina hidrelétrica de Barra do Guarita-RS.

No ano de 1967, iniciou-se a construção, com a fundação no mesmo ano do atual hospital local, pelo então Padre Vendelino Seidel. O primeiro manifesto de emancipação do distrito iniciou-se em 1967, sem êxito. Em 1984, o movimento emancipacionista ressurgiu com toda força. A autonomia político-administrativa foi consquistada após quatro anos de luta. Em 4 de janeiro de 1988, pela Lei Estadual nº 1.098, o município foi definitivamente instalado e elevado à categoria de município 200 do Estado de Santa Catarina, no dia 01 de junho de 1989.



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